"Não é o facto de termos vivido muito tempo que nos permite viver bem, mas o facto de termos vivido bem que nos permite considerar longa a nossa vida." Séneca
Todos desejamos viver muitos anos.
É um desejo natural. Gostamos de imaginar que teremos tempo para concretizar sonhos, acompanhar o crescimento dos filhos e dos netos, viajar, aprender coisas novas e desfrutar da companhia das pessoas que amamos.
Mas será que alguma vez parámos para refletir sobre uma questão ainda mais importante?
O que significa, verdadeiramente, viver muitos anos?
Será apenas contar aniversários?
Ou será chegar a uma idade avançada com saúde, autonomia, curiosidade, capacidade para caminhar, rir, aprender e continuar a sentir que a vida ainda tem muito para oferecer?
Nas últimas décadas, a esperança média de vida aumentou de forma significativa. Vivemos mais tempo do que qualquer geração anterior, graças aos avanços da medicina, da ciência e à melhoria das condições de vida.
Esta é, sem dúvida, uma extraordinária conquista da Humanidade.
Contudo, existe uma realidade que merece a nossa atenção.
Portugal é atualmente um dos países mais envelhecidos da Europa. Embora muitas pessoas vivam cada vez mais anos, nem sempre esses anos são vividos com a qualidade que todos desejamos.
A doença crónica, a perda de mobilidade, a dependência, a solidão e, por vezes, uma certa resignação perante o envelhecimento acabam por fazer parte do dia a dia de muitas famílias.
E talvez seja precisamente aqui que devamos mudar a pergunta.
Em vez de perguntarmos apenas "Quanto tempo podemos viver?", talvez devêssemos começar a perguntar:
"Como podemos viver melhor durante todos esses anos?"
Curiosamente, enquanto muitas sociedades enfrentam estes desafios, existem pequenas comunidades espalhadas pelo mundo onde é relativamente frequente encontrar pessoas com 90 e até mais de 100 anos que continuam a caminhar diariamente, a cuidar da horta, a cozinhar, a conviver com amigos, a participar na comunidade e a sorrir para a vida.
Como será possível?
Terão descoberto algum segredo?
Será apenas uma questão de genética?
Será a alimentação?
O clima?
Ou existirão pequenos hábitos que, repetidos diariamente ao longo de muitos anos, fazem toda a diferença?
Foi precisamente esta curiosidade que levou investigadores de várias universidades a estudar essas populações. Ao longo de décadas, procuraram compreender o que distingue estas pessoas e de que forma conseguem envelhecer com tanta autonomia, vitalidade e qualidade de vida.
Algumas dessas regiões ficaram conhecidas como Zonas Azuis (Blue Zones), mas a investigação sobre a longevidade saudável vai muito além delas. A ciência continua a descobrir novos fatores, a questionar antigas teorias e a aprofundar o conhecimento sobre aquilo que realmente contribui para uma vida longa e saudável.
No Projeto Ser em Movimento, acreditamos que a longevidade não deve ser vista como um objetivo em si mesma. O verdadeiro objetivo é viver com equilíbrio, preservar a autonomia, manter relações significativas, continuar a aprender, cuidar do corpo e da mente e encontrar propósito em cada fase da vida.
É precisamente essa viagem que hoje iniciamos.
Ao longo dos próximos artigos iremos explorar as descobertas da ciência, conhecer diferentes povos e culturas, desmistificar algumas ideias feitas e, sobretudo, perceber quais os hábitos que qualquer pessoa pode começar a adotar, independentemente da idade, para aumentar as probabilidades de viver mais… mas, acima de tudo, de viver melhor.
Porque talvez o maior legado destas populações não seja a idade que conseguem alcançar.
Talvez seja a forma inspiradora como escolhem viver cada um dos seus dias.
Uma pergunta para refletir
Se pudesses escolher, preferirias viver até aos 100 anos... ou viver até aos 90 com saúde, autonomia, alegria e capacidade para continuares a fazer aquilo que dá sentido à tua vida?
Comentários
Enviar um comentário