És excelente no que fazes... Mas és visto como líder?

 


João e o Silêncio das Promoções

Durante três anos, o João foi um exemplo na empresa de engenharia onde trabalhava. Cumpridor, pontual, envolvido em cada projeto como se fosse o único. Sempre disponível para ajudar os colegas, sempre com ideias práticas, sempre com resultados acima da média. Era aquilo a que muitos chamariam “um profissional modelo”.

Mas, apesar disso, a tão desejada promoção nunca chegava.

Numa tarde de sexta-feira, após uma reunião em que mais uma vez o cargo de coordenação fora entregue a outra pessoa, João fechou o portátil, recostou-se na cadeira e deixou que o silêncio da sala falasse por ele. "O que me está a faltar?", pensou.

O Espelho Que Não Vemos

A resposta começou a surgir nos dias seguintes. Numa conversa informal com um colega do departamento de RH, ouviu algo inesperado: "João, ninguém põe em causa o teu valor técnico. Mas quando se fala em liderança, as pessoas procuram mais do que competência, procuram quem saiba ouvir, motivar, gerir conflitos. Alguém com presença e influência."

Nesse instante, João confrontou-se com uma realidade desconfortável: ele não era visto como líder. Não porque não o fosse, mas porque nunca se preparou para o ser. 

A sua identidade profissional estava fortemente ancorada na especialidade técnica, mas não na capacidade de comunicar ou gerir pessoas. E isso limitava-o sem que se apercebesse.

Quando a Autoimagem Define o Teto

Aquela conversa despertou uma reflexão mais profunda. João percebeu que carregava uma autoimagem inconsciente de “bom executor”, mas não se via a si próprio como “líder”.

Era como se o seu termóstato interno. como descreve a psicologia, estivesse calibrado para manter o conforto técnico, mas não para abraçar o desafio da liderança.

Se queria ser promovido, teria primeiro de mudar por dentro. Não o currículo, não a entrega, mas a forma como se via e como era visto.

Investir na Melhor Versão

Foi aí que decidiu inscrever-se num curso em Comunicação Interpessoal e Gestão de Recursos Humanos. Era algo fora da sua zona de conforto, até um pouco fora da sua área, mas ele sabia que era a peça que faltava no puzzle.

A formação trouxe-lhe mais do que ferramentas. Trouxe-lhe clareza. Aprendeu a escutar com atenção, a dar e receber feedback de forma construtiva, a lidar com diferentes perfis de pessoas. Descobriu que a liderança não é um título, mas uma atitude que começa muito antes da promoção.

E mais importante: reconstruiu a sua autoimagem. Deixou de se ver apenas como “engenheiro competente” e passou a ver-se como um profissional completo, capaz de inspirar, orientar e transformar equipas.

Quando o Alinhamento Acontece

Seis meses depois, numa nova reestruturação da empresa, o nome do João foi o primeiro a surgir como sugestão para liderar um novo projeto. Desta vez, ninguém hesitou. Nem ele.

Porque agora, estava alinhado: com os seus valores, com o seu propósito e com a imagem que construíra de si mesmo, por dentro e por fora.


Reflexão Final para o Leitor do Blog:

E tu? Estás a investir na tua melhor versão ou apenas a aperfeiçoar a versão que os outros veem?

A tua promoção pode não estar à espera de mais um curso técnico, mas sim de um upgrade na tua mentalidade, na tua comunicação, no teu autoconhecimento.

A liderança começa onde termina o medo de sair da zona de conforto.

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