Balanço de um ano


No silêncio que antecede os últimos dias de 2025, sinto o peso e a leveza de tudo o que vivi.

Fazer o balanço de um ano, de forma inteligente, implica aceitar os acontecimentos e valorizar as aprendizagens.

Para mim foi um ano de costurar o que se rasgou, de alinhar o que estava fora do lugar, de devolver o coração ao centro do peito e a vida ao centro da vida.

Um ano onde o corpo cansou, a alma tremeu e a mente duvidou.
Mas, também, um ano em que foi de uma enorme aprendizagem de vida ao erguer-me com mais consciência, mais verdade, mais inteira, mais eu.

Houve dias em que pareceram não ter saída. 

Houve noites em que a esperança se escondia.

E, ainda assim, algo dentro de mim insistiu: continua.
E eu continuei.
Entre dores, reconstruções e medos, encontrei uma força que esteva adormecida e que foi necessário resgatar.
Descobri que a perseverança não se grita; vive-se.
Descobri que a coragem, às vezes, não é avançar com confiança… é avançar apesar dela faltar.

Foi um ano trabalhoso, um ano de recuperar pedaços, de colar sonhos, de pôr a casa, interna e externa, no devido lugar.
Aprendi a dizer não ao que me pesa e não me serve, a soltar o que me magoa e limita... voltei a abrir espaço para o que me ilumina.
Aprendi que fechar portas não é fracasso, é sabedoria.
E que deixar ir não é desistir, é maturidade.

Entre tempestades e amanheceres trémulos, agarrei oportunidades como quem segura constelações na palma da mão.
Transformei ruínas em raízes.
Transformei cansaço em reinvenção.
O que era desafio virou caminho,
o que era medo virou ação e movimento,
o que era dúvida virou curiosidade e descoberta.

Agora, ao fechar este ciclo, agradeço com o peito cheio.
Agradeço às lágrimas que regaram novas rotas.
Agradeço às quedas que me relembraram a arte sagrada de me levantar.
Agradeço ao caos que, sem saber, me apontou o norte.
Agradeço a mim, não pela força, mas por não ter desistido quando ela faltou.

E sigo.
Com a delicadeza de quem sabe que a vida é sopro,
e a firmeza de quem sente a terra a pulsar sob os pés.
Sigo mais leve e com mais céu.
Mais atenta à vida que me chama.
Com a certeza de que o melhor não está por acontecer, está a acontecer, a cada passo que dou com consciência, intenção e verdade.

Que 2026 me encontre inteira e em movimento,
não para ser perfeita, mas para ser possível.
Que me apanhe a florir.
Que me descubra em voo, com as asas fortalecidas.

Porque cada pessoa pode ser recomeço e caminho.
Promessa do que vem e do movimento.
E cada passo, que quero dar, honrará uma verdade simples:
o meu melhor não espera, floresce comigo.


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