Há dias em que sentimos que somos feitos de muitas vidas dentro de uma só. Como se cada experiência, cada palavra dita ou escutada, cada silêncio guardado e cada cicatriz deixada no caminho formassem uma camada invisível que nos escreve por dentro. Somos um todo, vasto, complexo, irrepetível. E é isso que torna cada Ser Humano tão profundamente fascinante.
Há uma antiga história que me desperta sempre um sorriso.
Um viajante, ao atravessar uma aldeia, encontrou três homens a trabalhar a mesma pedra. Perguntou ao primeiro o que fazia.
— Estou a partir pedras, respondeu, cansado.
O segundo, determinado, afirmou:
— Estou a construir uma parede.
Mas o terceiro, com brilho nos olhos, disse:
— Eu estou a ajudar a erguer uma catedral.
A mesma tarefa. Três sentidos. Três perceções. Três mundos interiores.
É assim connosco: a vida dá-nos as pedras e somos nós que decidimos se vemos nelas peso, construção ou propósito.
Aristóteles dizia que “o todo é maior do que a soma das partes”. Hoje, a Psicologia e a Neurociência confirmam esta sabedoria. Carl Rogers lembrava-nos que cada pessoa é um universo que só pode ser compreendido a partir de dentro. Damasio mostrou que razão e emoção não se opõem, dançam juntas. E a epigenética reforça que não estamos presos à genética: somos obra viva, em constante revisitação.
Somos, afinal, catedrais em construção.
Práticas para te reencontrares no teu Todo
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Explora-te com curiosidade, como quem descobre um território secreto.
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Conta a tua história com verdade. Estudos da Universidade de Duke mostram que integrar a narrativa pessoal promove resiliência.
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Escuta o corpo: tensões, entusiasmo, fadiga, tudo fala.
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Deixa a mente respirar com caminhadas, escrita livre ou silêncio.
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Vive alinhado com os teus valores, para que cada passo faça sentido.
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Cultiva relações profundas, o estudo de Harvard continua a mostrar que elas são o maior indicador de bem-estar.
Somos seres que se moldam, desfazem e reconstroem. E cada detalhe da nossa jornada importa.
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