A história da Inês
É 2h da manhã.
Inês vira-se na cama pela quarta vez. O corpo pede descanso, mas a mente insiste em manter-se ocupada:
– “E se amanhã falho na apresentação? E se me fazem perguntas que não sei responder?”
Do futuro, a mente salta para o passado:
– “Por que é que eu disse aquilo na reunião? Que vergonha, não devia ter respondido assim…”
Inês não está sozinha nesta experiência. Quantos de nós já viajámos para o futuro com receios ou ficámos presos no passado a remoer?
O que acontece na mente?
A ciência chama a este processo Pensamento Negativo Repetitivo (PNR).
Ele pode aparecer de duas formas:
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Preocupação: ligada ao futuro (“e se…”), muito associada à ansiedade.
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Ruminação: ligada ao passado (“devia ter…”), fortemente ligada à depressão.
O cérebro acredita que está a ajudar: pensa que, ao repetir o problema, vai encontrar soluções ou sentir-se mais preparado. Mas a verdade é que, na maioria das vezes, ficamos apenas presas numa roda que gasta energia sem avançar.
Estudos mostram que tanto a preocupação como a ruminação prolongadas aumentam os níveis de stress, fragilizam o sono e diminuem a capacidade de tomar decisões serenas.
Porquê tão difícil parar?
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Viés de ameaça: o cérebro dá mais atenção ao que pode correr mal do que ao que pode correr bem.
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Ilusão de controlo: acreditar que, se pensar muito num problema, vai evitar que aconteça.
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Falta de treino da atenção: a mente vagueia por natureza; sem prática, é levada pela corrente.
Reflexões para ti
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O que estou a tentar garantir ou evitar ao preocupar-me?
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Este pensamento aproxima-me ou afasta-me do que realmente quero viver hoje?
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Se este pensamento fosse uma notificação no telemóvel, eu precisava mesmo de o abrir agora?
Exercícios práticos
🌱 1. A Caixa do Preocupar-Depois
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Define uma hora fixa do dia (15 minutos) para “resolver preocupações”.
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Fora desse tempo, sempre que surge um pensamento, anota-o e lembra-te: “Tenho hora marcada para isto.”
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No horário definido, lê a lista. Muitas vezes, metade já perdeu importância.
🌱 2. O Registo 3x3 da Ruminação
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Sempre que deres por ti a remoer, escreve:
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Qual foi o gatilho?
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Qual o tema do pensamento?
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Quanto tempo já gastei nisto?
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Depois, cria 3 alternativas de ação (ex: fazer uma chamada, pedir ajuda, dar um passeio).
🌱 3. Pausa de Autocompaixão (3 etapas)
Coloca a mão no peito e diz em silêncio:
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“Isto é difícil.” (mindfulness)
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“Não estou sozinha, muitos passam por isto.” (humanidade comum)
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“O que é mais útil para mim agora?” (cuidado ativo)
🌱 4. Escrita Libertadora
Durante 15 minutos, escreve sem censura sobre a preocupação ou situação passada.
Não releias nem edites. A ciência mostra que este exercício ajuda a organizar pensamentos e emoções.
Medir o progresso
No final de cada dia, classifica de 0 a 10:
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Energia: senti-me drenada ou vitalizada?
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Presença: consegui estar aqui e agora?
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Sono: adormeci com facilidade?
A cada semana, observa se os números começam a subir. Pequenos progressos já são vitórias.
Quando procurar ajuda
Se a preocupação ou ruminação forem tão intensas que afetam de forma contínua o teu sono, trabalho ou relações, é sinal de que pode ser útil procurar apoio profissional. Falar com um psicólogo ou médico não é fraqueza, é autocuidado.
Um convite
Esta semana, desafia-te a viver 7 dias sem piloto automático:
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Escolhe uma das práticas.
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Faz dela um ritual diário.
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Observa o impacto.
Partilha depois o que descobriste, porque o teu testemunho pode inspirar outros a darem também o primeiro passo.
✨ Mensagem final:
A mente tem a tendência de viajar no tempo. Mas a vida só acontece no agora. Treinar este regresso ao presente é um presente que ofereces a ti mesma.

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