Ser, Fazer e Ter
Um dia, numa conversa entre amigos, alguém perguntou:
— E tu, quem és?
A resposta veio rápida:
— Sou engenheiro.
Outro acrescentou:
— Eu sou mãe.
E logo a seguir, outro disse:
— Sou desempregado.
Durante alguns segundos ficou um silêncio. Porque, no fundo, ninguém tinha respondido realmente à pergunta. Tinham dito o que fazem ou o que têm, mas não quem são.
A confusão entre ser, fazer e ter
A maior parte das pessoas aprendeu, sem perceber, a confundir estas três dimensões:
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Ser é a tua essência, aquilo que te caracteriza como pessoa: a tua sensibilidade, criatividade, paciência, coragem, alegria, curiosidade, generosidade.
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Fazer são as tuas atividades, profissões, tarefas, papéis: ensinar, cuidar, liderar, cozinhar, estudar, orientar.
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Ter são os resultados, conquistas, objetos, recursos: uma casa, um diploma, um cargo, uma medalha, uma família.
O problema surge quando usamos o verbo ser para nos definir a partir do que fazemos ou temos.
Se dizes “sou professora”, e um dia deixares de ensinar, deixas de ser? Claro que não. O ser é muito maior do que a profissão.
A importância da linguagem
A forma como falamos molda a forma como pensamos.
Se dizes “sou desempregado”, estás a colocar a tua identidade inteira numa circunstância temporária.
Mas se dizes “estou numa fase de procura de novas oportunidades”, já mudaste o jogo: continuas a ser a mesma pessoa, com valor, apenas num momento de transição.
Da mesma forma, em vez de dizer “sou nervoso”, podes dizer “tenho tendência para ficar nervoso em certas situações”.
Isso dá-te espaço para mudar. Porque se “és”, parece imutável; se “tens”, é algo que podes transformar.
Pequenos exercícios práticos
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Troca o “sou” pelo “tenho” ou “faço” quando falares de papéis ou estados.
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Em vez de “sou ansioso” → “tenho momentos de ansiedade”.
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Em vez de “sou contabilista” → “trabalho como contabilista”.
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Descobre três palavras para descrever o teu ser (não o que fazes).
Exemplo: sou curioso, sou paciente, sou generoso. -
Apresenta-te de forma diferente.
Quando alguém te perguntar “quem és?”, experimenta responder:-
“Sou uma pessoa que valoriza muito a família e adora aprender.”
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“Sou alguém com muita energia e vontade de contribuir.”
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O poder de reposicionar a vida
Quando mudamos a linguagem, mudamos a perceção que temos de nós mesmos.
Deixamos de estar presos ao título, ao cargo, ao objeto.
Passamos a reconhecer que somos sempre mais do que aquilo que fazemos ou temos.
Porque no fim, o mais importante não é ser “engenheiro”, “mãe” ou “desempregado”...
É Ser Humano.
E isso já é, por si só, extraordinário...
O autoconhecimento é fundamental.

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