Escuta Ativa -> A Arte de Ouvir para Compreender
Paulo e Paula discutiam por tudo e por nada.
Nas viagens de carro, na forma de falar ao telefone, até a escolha da música no pequeno-almoço, nos projetos que faziam. No fundo, ambos achavam que a culpa era sempre do outro.
Um dia, quase por acaso, decidiram assistir a uma palestra sobre comunicação assertiva. No início, estavam convictos de que nada do que ouviriam seria novidade. “Já sabemos isso tudo”, pensavam.
Mas, à medida que a palestra avançava, foram-se entreolhando.
Os exemplos dados pelo orador soavam estranhamente familiares… como se descrevessem, palavra por palavra, o que acontecia nas suas conversas de casal.
No intervalo, olharam-se nos olhos e, pela primeira vez em muito tempo, questionaram-se mutuamente:
“Será que não nos estamos a ouvir de verdade?”
Descobriram que, apesar de conversarem diariamente, nenhum estava realmente atento ao que o outro queria transmitir. Ao longo dos anos, tinham erguido barreiras invisíveis: falavam apenas para responder, justificar ou rebater. Nunca para ouvir atentamente e compreender.
Decidiram mudar. Não foi fácil. Escutar sem julgar exigia treino, paciência e, sobretudo, humildade. Mas, pouco a pouco, começaram a experimentar o poder da escuta ativa: ouvir com atenção, sem interromper, sem antecipar respostas, com genuíno interesse.
E a relação deles… transformou-se.
Situações do dia a dia que lhes dificultavam a escuta ativa
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Interromper constantemente – querer dar a nossa resposta antes do outro terminar.
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Pensar no que vamos dizer em vez de ouvir – preparar mentalmente a resposta em vez de escutar.
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Julgar ou criticar no meio da conversa – bloquear o que o outro sente ou pensa.
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Estar distraído com o telemóvel ou televisão – dar sinais de que não estamos presentes.
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Desvalorizar ou minimizar emoções – frases como “estás a exagerar”, "nunca me ouves"... cortam a conexão.
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Assumir que já sabemos o que o outro vai dizer – impedir que a comunicação flua com autenticidade.
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Responder defensivamente – ouvir apenas para preparar um contra-ataque.
E tu?... já tiveste conversa em que um fala "alhos" e o outro percebe "bugalhos"?
Procura lembrar-te de conversas e analisa como estiveste... ouviste atentamente ou não? Quantas vezes "achas" que sabes, antecipadamente, o que o outro vai dizer?
Roteiro prático para desenvolver a escuta ativa
👉 1. Silencia o teu julgamento. Quando alguém fala, foca-te em entender antes de avaliar.
👉 2. Mantém contacto visual. Mostra que estás presente e interessado.
👉 3. Dá espaço. Não interrompas... deixa o outro terminar o raciocínio.
👉 4. Reformula. Repete com as tuas palavras o que ouviste: “Se entendi bem, estás a dizer que…”.
👉 5. Valida emoções. Reconhece o que o outro sente: “Percebo que estejas frustrado com isso”.
👉 6. Faz perguntas abertas. Em vez de “sim/não”, perguntas que incentivam a partilha: “O que é mais importante para ti neste momento?”.
👉 7. Treina todos os dias. A escuta ativa é como um músculo, ganha força com prática constante.
A escuta ativa é mais do que uma técnica de comunicação.
É um ato de amor, respeito e presença.
Se o Paulo e a Paula conseguiram transformar o seu diálogo em conexão, qualquer um de nós também pode.
E tu? Estás disposto(a) a começar hoje a ouvir verdadeiramente quem está ao teu lado?
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