Ontem, Portugal, Espanha e França viveram um daqueles momentos que nos recordam, de forma muito clara, o quanto dependemos da eletricidade. Em poucos minutos, complicaram-se as deslocações, desapareceram as comunicações, a internet caiu e muitos serviços essenciais ficaram reduzidos ou inoperacionais.
Afinal, a energia que tantas vezes damos por garantida é o que move o nosso dia a dia — é ela que põe os comboios/metros/carros a andar, a água nas torneiras, os eletrodomésticos não podem desempenhar as suas funções, os telemóveis a tocar, a internet com as suas informações, os semáforos e as luzes das cidades a brilhar, o trabalho a acontecer, e até os corações a comunicarem de casa para casa. Sem ela, o nosso ritmo moderno simplesmente suspendeu-se.
No meio da surpresa e do desafio, brilhou algo ainda maior: a capacidade de nos adaptarmos e de valorizarmos o que é essencial.
- As ruas tinham mais pessoas a caminhar, a aproveitar o luar e a temperatura.
- Os vizinhos conversavam de janela para varanda.
- À luz das velas, surgiram jantares improvisados, conversas demoradas, gargalhadas partilhadas sem a distração dos ecrãs.
- As casas encheram-se de presença real, de olhos nos olhos, de histórias contadas ao natural.
Claro que é importante repensar o quanto estamos dependentes do que temos, incluindo os governantes para precaverem possíveis outras situações.
Porém, foi um daqueles momentos em que, sem querer, recordámos que a energia mais preciosa não vem das tomadas — vem de nós, da nossa atitude perante as adversidades. E que, mesmo sem rede, a nossa verdadeira ligação permanece forte.
Perceber que a nossa atitude no dia a dia é o principal, se queremos fazer diferente do que temos na nossa rotina, também o podemos fazer sem ser necessário um apagão. Podemos sempre criar novas rotinas e sair da nossa zona de conforto.

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